terça-feira, novembro 01, 2011

Subjugados pelo Google e pelo Facebook

O segundo semestre de 2011 poderá ficar marcado, na história da internet, como o momento em que ficou evidente que nossa experiência de Rede está sendo pautada pelas decisões das corporações.
Google e Facebook, dois dos grandes protagonistas desse ato, nem simulam mais o seu pouco caso com as preferências dos usuários. Descontinuar um serviço ou alterá-lo expressivamente tem sido uma prática que já não surpreende mais ninguém, apesar dos protestos e do inconformismo de alguns.
Bom momento, talvez, para que as pessoas tenham claro duas verdades que às vezes permanecem obnubiladas (usei!) pelo lindo apelo marketeiro das empresas de mídia:
1) a "nuvem", esse lugar idílico onde depositamos os nossos textos (inclusive os desse blog), nossas fotos, nossos dados, não constitui um espaço etéreo, um território livre e sem limites, mas as jaulas muito bem cuidadinhas dos servidores das grandes empresas. E, portanto, seus textos, suas fotos,seus vídeos, seus likes, etc, são muito bem usados por essas empresas. E se vocês tem carinho por eles, prepare-se para armazená-los com você, pois nenhum contrato, daqueles que a gente clica no "Aceito" sem ler, impede que a "nuvem" se dissipe e você perca acesso um acervo cultivado ao longo de anos.
2) ao conceito de privacidade na Rede, entendido como um grau de discrição sobre nossa vida que muitas vezes gostaríamos de preservar, nossa imagem, nossas informações, não se pode opor um conceito de "público", como o fazemos na analogia "a casa/a rua". O fórum mais amplo a que temos nossas vidas expostas num Facebook, seja por nossos comentários, links, fotos que postamos ou que outros postam, não constitui um espaço público. Suas regras são determinadas nos escritórios de uma empresa, com objetivos próprios, sem nenhuma representação direta dos usuários.Trata-se de plataformas que fomentam a interação social, que possuem fins lucrativos, que dedicam grande empenho em oferecer-lhe uma experiência gostosa, como de rir das piadas de gente que tem um humor afinado com o teu, ou de sentir-se eficiente ao usar suas ferramentas de busca. O "público" da Rede, nesses casos, possui uma mediação indissociável da lógica "privada" das empresas que oferecem esses serviços.
Já que o Facebook e o Google vão nos ajudando na tarefa de desconstruir as ilusões de uma internet totalmente livre e isenta, pode ser que a primeira boa decisão de ano novo seja procurar um lugar mais seguro para ancorar esse blog. Em algum momento vai chegar a hora do blogspot.

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17 Comments:

Blogger Sérgio F. Lima said...

Opa Lilian,

Muito bom seu texto e toca nos pontos chaves porque deveríamos ter o pé atrás em colocar "nossos conteúdos" nestas plataformas.

Em nome da comodidade e facilidade abrimos mão do controle dos nossos conteúdos e das nossas conversações!

Felizmente existem hoje ferramentas que nos permitem ter um controle do nosso conteúdo e ao mesmo tempo manter nossas conexões com aqueles que preferem, por qualquer motivo, permanecerem e entregarem sua produção a estas corporações.

Friendica e Diáspora são duas alternativas. E apesar de não existir nenhum hype em torno do Friendica, hoje, ele é o mais maduro e já entrega tudo aquilo que o Diáspora prometeu (e recebeu dinheiro pra fazer) e não cumpriu (ainda).

O Frederico mantém uma instalação do Friendica em http://patio.sleducacional.org/

Aqui uma tradução do readme do Friendica http://psfl.in/4b

Pra entender como ele trata a questão das múltiplas conexões em várias "redes sociais".

PS: Foi bom pra você ter usado obnubilada? Eu adorei conhecer a palavra :-)


abs

10:24 da manhã  
Blogger Lilian said...

Aê querido,
vou entrar nessas alternativas que mencionastes. Do Diáspora já ouvi falar, do outro não. A questão é o poder de agregação que possuem as plataformas que tem grana e espaço de mídia. O Identica é um bom exemplo - cobre o mesmo espaço do Twitter, mas não tem o mesmo poder de adesão.
Gostou do "obnubilados"? Não é linda essa palavra? Faz um belo jogo com a metáfora das nuvens!
bjs

1:38 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Oi Lilian,
Muito legal o post. É bom lembrar que, como dizem os americanos, não existe almoço grátis. Se essas ferramentas da internet nos são oferecidas, há interesses nos bastidores. Sou heavy user de Google e Facebook, mas sempre fico com a pulga atrás da orelha. Tento usar em vez de ser usada, me preparando para içar âncoras virtuais quando me convir. Se eles querem ter lucro com seus anúncios, comigo dançaram, pois sou anticonsumista. Quanto à nuvem, prefiro manter meus arquivos em dois hard disk, um dentor do computador, outro externo para garantir. Tenho antepassados mineiros, uai!
Claudia Visoni

10:43 da manhã  
Anonymous Barbara Dieu said...

>Se eles querem ter lucro com seus anúncios, comigo dançaram, pois sou anticonsumista.

Claúdia, se fossem só os anúncios jogados a você não seria um problema - você pode ignorá-los. O que as pessoas não percebem quando consomem os amigos e os serviços dessas plataformas "grátis" é que o anúncio, o produto, as conexões que estão sendo vendidas são as pessoas elas mesmas já que são seus dados que interessam.

Logo continuando a frequentá-los, as pessoas lá dentro é que são a mercadoria. E em algumas plataformas, como por exemplo no Facebook, as coisas se passam como na música: Hotel Califórnia

"We are programmed to receive
You can check out any time you like
But you can never leave"

10:48 da tarde  
Blogger Lilian said...

Bárbara, acho que vale à pena deixar aqui o link de seu post, que vc me mandou. O vídeo é bem interessante.
http://beespace.net/privacy-and-social-networks/
abço
Lilian

11:12 da tarde  
Blogger Fátima said...

Oi,Lilian: eu achei ótimo o uso da palavra obnubilada, rssss...
Você tem toda razão em seu texto. Como os serviços são gratuitos, as empresas, simplesmente, os descontinuam e pronto.O Google pelo menos nos oferece ferramentas para backup de nossos dados, o que facilita transferi-los para nossos domínios quando a coisa ficar mais complicada ainda.
Abs,

7:14 da tarde  
Blogger Helaineprof said...

Olá Lilian. Parabéns pela sabedoria. Sou professora e falo isso sempre para meu alunos do Ensino médio. Precisamos estimular o senso crítico das pessoas. Adorei a lembrança do Verbo Obnubilar. Lembrei do Meu querido Professor Evanildo Bechara.

9:47 da manhã  
Blogger Lilian said...

Olá Fátima, acho que está claro que precisamos superar essa cilada do "ofereço grátis, então faço oo que quero". Precisamos nos posicionar, por exemplo, sobre o acordo que alguns governos fazem com essas empresas. Há registros e há trabalhos que não devem ficar à mercê dessas decisões.
Helaine, obrigada pela visita, gostei de saber de teu trabalho, estou bem curiosa sobre novas experiências de estímulo à leitura por meio de conversas na web. Boa hora de irmos além dessas "caixas" pré-fabricadas! abços

11:09 da tarde  
Anonymous Vanessa Nogueira said...

Oiee...

Já perdi muita coisa usando serviços "grátis", e demorei muito tempo até migrar o meu blog, vale a pena o investimento, principalmente pra quem não pretende deixar de ser blogueiro tão cedo, além das vantagens de ter um servidor, poder fazer experiências, instalar, testar coisas novas...

Adorei essa palavra, obnubilada, tive que procurar o dicionário pra descobrir o que era....hehehehe

Bjooo

2:28 da manhã  
Blogger O Cercadinho said...

Oi, tudo bom?
Bem legal teu blog. Layout bem clean, textos/fotos bem objetivos. Gostei. E vou recomendar pras minhas amigas de Cercadinho, ok? Pra que elas venham aqui visitar teu blog.
Não sabe o que é O Cercadinho?
Nos visita lá então. Acho que pode rolar uma interação bem legal.
www.o-cercadinho.blogspot.com
Beijos,
Wanderlei

3:39 da tarde  
Anonymous Hostvlag said...

Procura Webdesigner? Tudo para a montagem do seu site, conheça nosso site www.hostvlag.com.br e conheça nossas promoções, como trabalhamos e etc!

4:13 da tarde  
Blogger História Digital said...

O texto é pertinente, pois precisamos ter noção do terreno que estamos pisando. O pessoal entrega a privacidade a estes serviços sem refletir sobre as implicações. E tomara que não tenhamos uma internet bipolarizada no Google e Facebook... se é que já não temos.

10:37 da tarde  
Blogger Guilherme da Luz said...

Olá Lilian, tudo bem? Achei bem interesante o seu blog, parabéns!!! Cheguei até você através de nossa amiga e blogueira em comum, a Marli, do blogosfera da Marli. Tenho dois blogs bem bacana sobre educacao e cursos de faculdade (faculdade.net) e (educacao.co), vou adicionar o seu blog na barrinha do meu site. Vamos trocar links? Um abraço,

Guilherme da Luz

8:52 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

confesso que fiquei meio obnubliado com essa palavra. Não é a primeira vez que leio, mas é a primeira vez que escrevo -- e olhe que não sou tão novinho na praça assim...Mas, sou suspeito, desconfio de toda palavra com mais de tres sílabas.
O principal é que concordo com as suas preocupações em relação ao Facebook, razão tem o Assange, do Wikileaks, a respeito. Enquanto este último, torna públicas gratuitamente informações do estado indevidamente ocultas aos cidadãos, o "Face" vende aos grupos privados, as informações que de seus usuários, que deveriam permanecer ocultas. Por isso o proprietário ganhou o título de homem do ano...
Mas, como dizia o poeta, "nuvens brancas passam em brancas nuvens"
abç.

2:53 da manhã  
Blogger Lilian said...

Olá Guilherme,
benvindo ao blog, vou visitar o eu também, indicação da Marli é indicação de gente bacana!
Anônimo, gostei da tua comparação, acho importantíssimo o Wikileaks, e no fundo trata-se de não nos oferecermos de bandeja para as corporações trancarem as nossas informações! Teu nome é?
até mais,
Lilian

6:47 da tarde  
Blogger Alex said...

Adorei seu post e seu blog. Legal. Parabens porque fazer um blog com qualidade leva muito tempo e é preciso esforço. Tenho um blog homem.net e estou buscando assuntos e notícias interessantes pra publicar. Obrigado

9:10 da manhã  
Anonymous acessórios femininos said...

Excelente texto... parabéns.

12:03 da tarde  

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