quinta-feira, janeiro 12, 2017

O Tribunal da Quinta-feira, uma ótima reflexão sobre os tribunais nossos de cada dia

Gostei muito de ler O Tribunal da Quinta-Feira, de Michel Laub,publicado pela Companhia das Letras esse finado 2016.
Nesse romance, voltei a constatar sua maestria literária na elegância da linguagem, na construção da trama, na coerência textual ao longo do livro, características que já apareciam no excelente Diário da Queda, o único outro título que li desse autor.O tempo da narrativa  não respeita a cronologia da história, o que facilita que as informações sobre as personagens sejam reveladas aos poucos, mantendo o suspense e brincando com as expectativas do leitor.
E haverá algo mais apropriado para um livro escrito em 2016 que a metáfora de um tribunal? Num ano marcado por vazamentos de informação dos mais diversos tipos, debates sobre o uso das mídias na criação de opinião pública, dinâmica cotidianas de pressão nas redes sociais, o autor consegue, com um enredo que faz uso de todas essas experiências, nos colocar como membros de seu tribunal. Quando me dei conta, estava julgando até o autor e sua capacidade manipulativa ao produzir o romance. Uma estratégia brilhante para acabar com nossa ilusões de isentões e imparciais.
Somado a tudo isso, o Tribunal de Quinta-feira é um texto lindo sobre relações humanas, a de cada um com sua própria história, as proximidades e distâncias que criamos com amigos, amantes, colegas de trabalho, companheiros de vida, o universo das convenções e os desejos de ir além das pequenas hipocrisias. É um livro que vai fundo nas dicotomias corpo-cultura, nos lembrando que somos muito mais animalescos do que conseguimos reconhecer. Talvez seja essa uma pista de entendimento fundamental para nossos posicionamentos nos tribunais nossos de cada dia.

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terça-feira, novembro 01, 2011

Subjugados pelo Google e pelo Facebook

O segundo semestre de 2011 poderá ficar marcado, na história da internet, como o momento em que ficou evidente que nossa experiência de Rede está sendo pautada pelas decisões das corporações.
Google e Facebook, dois dos grandes protagonistas desse ato, nem simulam mais o seu pouco caso com as preferências dos usuários. Descontinuar um serviço ou alterá-lo expressivamente tem sido uma prática que já não surpreende mais ninguém, apesar dos protestos e do inconformismo de alguns.
Bom momento, talvez, para que as pessoas tenham claro duas verdades que às vezes permanecem obnubiladas (usei!) pelo lindo apelo marketeiro das empresas de mídia:
1) a "nuvem", esse lugar idílico onde depositamos os nossos textos (inclusive os desse blog), nossas fotos, nossos dados, não constitui um espaço etéreo, um território livre e sem limites, mas as jaulas muito bem cuidadinhas dos servidores das grandes empresas. E, portanto, seus textos, suas fotos,seus vídeos, seus likes, etc, são muito bem usados por essas empresas. E se vocês tem carinho por eles, prepare-se para armazená-los com você, pois nenhum contrato, daqueles que a gente clica no "Aceito" sem ler, impede que a "nuvem" se dissipe e você perca acesso um acervo cultivado ao longo de anos.
2) ao conceito de privacidade na Rede, entendido como um grau de discrição sobre nossa vida que muitas vezes gostaríamos de preservar, nossa imagem, nossas informações, não se pode opor um conceito de "público", como o fazemos na analogia "a casa/a rua". O fórum mais amplo a que temos nossas vidas expostas num Facebook, seja por nossos comentários, links, fotos que postamos ou que outros postam, não constitui um espaço público. Suas regras são determinadas nos escritórios de uma empresa, com objetivos próprios, sem nenhuma representação direta dos usuários.Trata-se de plataformas que fomentam a interação social, que possuem fins lucrativos, que dedicam grande empenho em oferecer-lhe uma experiência gostosa, como de rir das piadas de gente que tem um humor afinado com o teu, ou de sentir-se eficiente ao usar suas ferramentas de busca. O "público" da Rede, nesses casos, possui uma mediação indissociável da lógica "privada" das empresas que oferecem esses serviços.
Já que o Facebook e o Google vão nos ajudando na tarefa de desconstruir as ilusões de uma internet totalmente livre e isenta, pode ser que a primeira boa decisão de ano novo seja procurar um lugar mais seguro para ancorar esse blog. Em algum momento vai chegar a hora do blogspot.

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sábado, abril 17, 2010

Mesa no Congresso Educador


Participarei, no dia 15 de maio próxima, de um painel no Congresso Educador, aqui em São Paulo. O tema é "Tecnologia na Educação: O Uso de Ferramentas Sociais Transformam a Aprendizagem?", e dividirei a mesa com a Professora Léa Fagundes, o Professor José Manuel Morán e o querido colega Moisés Zylberstajn, que me colocou nesse diálogo.
O título da minha fala tem um tom provocativo: "Por que as escolas devem encampar o uso de Ferramentas Sociais?". Vamos ver se vou tomar muitas tomatadas lá na frente...
Há muita gente interessante no programa, vale à pela conferir no

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segunda-feira, dezembro 07, 2009

Excesso de informação é a alienação contemporânea

Se eu tivesse que esboçar um mapa das minhas interações com outras pessoas em redes digitais, nas últimas semanas, teria que incluir uma lista constituída pelas principais ferramentas que estão à disposição hoje em dia: a blogosfera, as listas de discussão, o Orkut, o Facebook e o Twitter.
Por caminhos curiosos, por razões que eu precisaria (e talvez deveria) investigar mais, em cada um desses espaços encontro nichos de relações que me mobilizam a manter-me por lá. Os amigos, alguns no Facebook, outros no Orkut. Diversos contatos profissionais no Twitter, mas no Facebook também. Contatos no exterior, Facebook. Companheiros da Rede, da reflexão sobre vida digital e caminhos da cultura, da política e da educação, leio nos blogs, no Google Readers, no Twitter, nas listas de discussão.
Isso sem mencionar o correio eletrônico, meio pelo qual sigo em contato com vários grupos, o que inclui família, amigos que não estão nas Redes Sociais, contatos profissionais da escola, etc.
Tanta gente decreta levianamente a morte do correio eletrônico, mas preciso dizer que ele tem sido, para mim, a grande baliza de filtragem de todos esses vertedouros de informação. É por email que sou informada de que meus contatos me acionaram nas respectivas Redes, e, em geral, é por ele que posso triar o que preciso verificar já e o que pode aguardar outro momento. Como um RSS de contatos pessoais.
Com o surgimento do Google Wave, outro dia, lá estavamos testando adivinhar para o que serve esse novo brinquedinho. Já decidi - nenhuma pressa. O tempo e o movimento das conversas me avisarão quando valer à pena eu checar o Google Wave também. Escrevi para o Sérgio diante de uma de nossas primeiras waves: o excesso de informação é a alienação contemporânea. O limite entre estar bem informado e estar hipnotizado pelo fluxo incessante de informação é tênue, e saber respeitá-lo demanda experiência e atenção. Exercitar esse discernimento é, talvez, a ação educativa mais importante que temos a desempenhar.

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