Não contem a ninguém
Fim de ano é época de mensagem bonita, de tom poético, incentivo à tolerância e votos em nome da fraternidade universal. Juro que vou tentar escrever uma mensagem assim nos próximos dias, mas antes que o ano termine preciso contar algumas coisas.
Vocês que me lêem vão prometer não contar a ninguém, claro, pois o mar anda perigoso para quem reclama da vida, em especial na internet.
As novidades permeiam a minha curta jornada de merecido descanso. Está tudo ótimo, estou aqui feliz com a família, todos com saúde e em santa paz.
Devo ser mais uma pessoa comum, entre as milhares de pessoas que tiraram uma folguinha nesse fim de ano. E portanto, mais uma entre as milhares que começa seu descanso indignada com a temporada de “caça ao dinheiro do turista”, que parece ser uma rotina compreensível na vida do setor da economia que se ocupa desses seres tão previsíveis – os cidadãos que querem sair uns dias de sua rotina e – se possível - descansar em uma outra paragem.
O inusitado começa na primeira parada da viagem – não mencionarei nomes de nenhuma cadeia de lanchonetes na estrada para o litoral norte de S.Paulo, para não correr o risco de ofender alguém. Doze reais por pão com linguiça? Quando a gente se dá conta, já está no caixa, e aí, meu amigo, foi-se a hora de reclamar...
Também não vou comentar os 20% de aumento na batata frita da praia entre os dias 24 e 25 de dezembro... talvez seja época de acertar as perdas do ano... afinal, quem está viajando deve ser porque algum ganhou, não é mesmo? Então qual é o espanto se a porção agora custar o equivalente a três quilos de batata?
Não seja eu leviana, também, em levantar suspeitas sobre a qualidade de um protetor solar que resolvi experimentar – era mais perfumado... Não quero citar nomes, essa poderosa senhora dos cosméticos internacionais pode se sentir injustiçada. Mas a vermelhidão nas minhas costas não está me deixando esquecer do assunto.
Por último, também nada a declarar sobre o susto que meu marido tomou hoje quando olhou para a garrafa de água mineral de uma importante marca de bebidas – cervejas, sucos, etc – que não ousarei informar o nome, já que não quero comprometer sua nobre atuação no patrocínio de eventos culturais na região. O nível de Nitratos registrado no rótulo estava em 12 – e ele, que trabalha com temas relacionados a meio ambiente –nunca nos deixa tomar água mineral se o nitrato estiver igual ou maior que 5. É um indicador claro de atividade humana na fonte, ou seja, poluição braba.
Será que ao querer descanso a gente fica com os olhos mais sensíveis a essas coisinhas à toa? Será que a naturalidade com que vivenciamos esses pequenos detalhes não é altamente nociva à saúde de um país?
Não, por favor, não contem a ninguém. Afinal quem precisa ouvir essas coisas nessa época do ano? Vai que um profissional da defesa dos direitos à reputação ilibada das pessoas jurídicas sinta-se compelido a sair de seu descanso e tenha que atender um cliente ofendido por uma turista linguaruda... Fica só entre nós.
Vocês que me lêem vão prometer não contar a ninguém, claro, pois o mar anda perigoso para quem reclama da vida, em especial na internet.
As novidades permeiam a minha curta jornada de merecido descanso. Está tudo ótimo, estou aqui feliz com a família, todos com saúde e em santa paz.
Devo ser mais uma pessoa comum, entre as milhares de pessoas que tiraram uma folguinha nesse fim de ano. E portanto, mais uma entre as milhares que começa seu descanso indignada com a temporada de “caça ao dinheiro do turista”, que parece ser uma rotina compreensível na vida do setor da economia que se ocupa desses seres tão previsíveis – os cidadãos que querem sair uns dias de sua rotina e – se possível - descansar em uma outra paragem.
O inusitado começa na primeira parada da viagem – não mencionarei nomes de nenhuma cadeia de lanchonetes na estrada para o litoral norte de S.Paulo, para não correr o risco de ofender alguém. Doze reais por pão com linguiça? Quando a gente se dá conta, já está no caixa, e aí, meu amigo, foi-se a hora de reclamar...
Também não vou comentar os 20% de aumento na batata frita da praia entre os dias 24 e 25 de dezembro... talvez seja época de acertar as perdas do ano... afinal, quem está viajando deve ser porque algum ganhou, não é mesmo? Então qual é o espanto se a porção agora custar o equivalente a três quilos de batata?
Não seja eu leviana, também, em levantar suspeitas sobre a qualidade de um protetor solar que resolvi experimentar – era mais perfumado... Não quero citar nomes, essa poderosa senhora dos cosméticos internacionais pode se sentir injustiçada. Mas a vermelhidão nas minhas costas não está me deixando esquecer do assunto.
Por último, também nada a declarar sobre o susto que meu marido tomou hoje quando olhou para a garrafa de água mineral de uma importante marca de bebidas – cervejas, sucos, etc – que não ousarei informar o nome, já que não quero comprometer sua nobre atuação no patrocínio de eventos culturais na região. O nível de Nitratos registrado no rótulo estava em 12 – e ele, que trabalha com temas relacionados a meio ambiente –nunca nos deixa tomar água mineral se o nitrato estiver igual ou maior que 5. É um indicador claro de atividade humana na fonte, ou seja, poluição braba.
Será que ao querer descanso a gente fica com os olhos mais sensíveis a essas coisinhas à toa? Será que a naturalidade com que vivenciamos esses pequenos detalhes não é altamente nociva à saúde de um país?
Não, por favor, não contem a ninguém. Afinal quem precisa ouvir essas coisas nessa época do ano? Vai que um profissional da defesa dos direitos à reputação ilibada das pessoas jurídicas sinta-se compelido a sair de seu descanso e tenha que atender um cliente ofendido por uma turista linguaruda... Fica só entre nós.


