segunda-feira, dezembro 28, 2009

Ode à paciência no processo de criação

Presente surpresa encomendado nesse fim de ano, ganhei o livro História de Canções - Chico Buarque. Organizado por Wagner Homem, que pelo jeito conviveu muito com ele e acompanhou de perto sua carreira, o livro oferece um conjunto expressivo de letras das músicas de Chico ao longo dos últimos cinquenta anos, e conta histórias e anedotas ao redor de cada uma delas.
Uma que me chamou a atenção leva o nome de Xote da Navegação. A música, segundo Chico, foi composta por Dominguinhos, e jazia esquecida numa gaveta até que, uns quinze anos depois foi resgatada. A melodia atendia às demandas de uma canção que ele estava gestando, cujo mote era a passagem do tempo, associada à ideia de paciência.
O divertido dessa história, para mim, era que “paciência” é uma homenagem de Chico às horas que ele entreteve-se com o jogo de mesmo nome em um dos primeiros computadores que ganhou, enquanto a inspiração para compor demorava-se a vir.
Para fãs ardorosos de um compositor, a cena de seu ídolo angustiado frente ao micro, ocupando-se com um game enquanto a rima mais precisa recusava-se a emergir, parece intriga da oposição. No fundo, é um alento: se até o Chico Buarque permitia-se trocar a tela e distrair-se com outra coisa enquanto organizava criativamente o que tinha a dizer, nós, pobres mortais, estamos perdoados pelos nossos inumeráveis desvios.

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Atualização: Descobri, após publicar o post, que sou uma péssima leitora de orelhas de livros. Isso porque pela orelha já poderia ter descobrido que o Wagner não é companheiro de toda vida não. Ele é o produtor do site Chico Buarque, que reúne letras e causos sobre o compositor desde 1995. E não é que pode haver informações relevantes em orelhas?

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Não contem a ninguém

Fim de ano é época de mensagem bonita, de tom poético, incentivo à tolerância e votos em nome da fraternidade universal. Juro que vou tentar escrever uma mensagem assim nos próximos dias, mas antes que o ano termine preciso contar algumas coisas.
Vocês que me lêem vão prometer não contar a ninguém, claro, pois o mar anda perigoso para quem reclama da vida, em especial na internet.
As novidades permeiam a minha curta jornada de merecido descanso. Está tudo ótimo, estou aqui feliz com a família, todos com saúde e em santa paz.
Devo ser mais uma pessoa comum, entre as milhares de pessoas que tiraram uma folguinha nesse fim de ano. E portanto, mais uma entre as milhares que começa seu descanso indignada com a temporada de “caça ao dinheiro do turista”, que parece ser uma rotina compreensível na vida do setor da economia que se ocupa desses seres tão previsíveis – os cidadãos que querem sair uns dias de sua rotina e – se possível - descansar em uma outra paragem.
O inusitado começa na primeira parada da viagem – não mencionarei nomes de nenhuma cadeia de lanchonetes na estrada para o litoral norte de S.Paulo, para não correr o risco de ofender alguém. Doze reais por pão com linguiça? Quando a gente se dá conta, já está no caixa, e aí, meu amigo, foi-se a hora de reclamar...
Também não vou comentar os 20% de aumento na batata frita da praia entre os dias 24 e 25 de dezembro... talvez seja época de acertar as perdas do ano... afinal, quem está viajando deve ser porque algum ganhou, não é mesmo? Então qual é o espanto se a porção agora custar o equivalente a três quilos de batata?
Não seja eu leviana, também, em levantar suspeitas sobre a qualidade de um protetor solar que resolvi experimentar – era mais perfumado... Não quero citar nomes, essa poderosa senhora dos cosméticos internacionais pode se sentir injustiçada. Mas a vermelhidão nas minhas costas não está me deixando esquecer do assunto.
Por último, também nada a declarar sobre o susto que meu marido tomou hoje quando olhou para a garrafa de água mineral de uma importante marca de bebidas – cervejas, sucos, etc – que não ousarei informar o nome, já que não quero comprometer sua nobre atuação no patrocínio de eventos culturais na região. O nível de Nitratos registrado no rótulo estava em 12 – e ele, que trabalha com temas relacionados a meio ambiente –nunca nos deixa tomar água mineral se o nitrato estiver igual ou maior que 5. É um indicador claro de atividade humana na fonte, ou seja, poluição braba.
Será que ao querer descanso a gente fica com os olhos mais sensíveis a essas coisinhas à toa? Será que a naturalidade com que vivenciamos esses pequenos detalhes não é altamente nociva à saúde de um país?
Não, por favor, não contem a ninguém. Afinal quem precisa ouvir essas coisas nessa época do ano? Vai que um profissional da defesa dos direitos à reputação ilibada das pessoas jurídicas sinta-se compelido a sair de seu descanso e tenha que atender um cliente ofendido por uma turista linguaruda... Fica só entre nós.

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segunda-feira, dezembro 07, 2009

Excesso de informação é a alienação contemporânea

Se eu tivesse que esboçar um mapa das minhas interações com outras pessoas em redes digitais, nas últimas semanas, teria que incluir uma lista constituída pelas principais ferramentas que estão à disposição hoje em dia: a blogosfera, as listas de discussão, o Orkut, o Facebook e o Twitter.
Por caminhos curiosos, por razões que eu precisaria (e talvez deveria) investigar mais, em cada um desses espaços encontro nichos de relações que me mobilizam a manter-me por lá. Os amigos, alguns no Facebook, outros no Orkut. Diversos contatos profissionais no Twitter, mas no Facebook também. Contatos no exterior, Facebook. Companheiros da Rede, da reflexão sobre vida digital e caminhos da cultura, da política e da educação, leio nos blogs, no Google Readers, no Twitter, nas listas de discussão.
Isso sem mencionar o correio eletrônico, meio pelo qual sigo em contato com vários grupos, o que inclui família, amigos que não estão nas Redes Sociais, contatos profissionais da escola, etc.
Tanta gente decreta levianamente a morte do correio eletrônico, mas preciso dizer que ele tem sido, para mim, a grande baliza de filtragem de todos esses vertedouros de informação. É por email que sou informada de que meus contatos me acionaram nas respectivas Redes, e, em geral, é por ele que posso triar o que preciso verificar já e o que pode aguardar outro momento. Como um RSS de contatos pessoais.
Com o surgimento do Google Wave, outro dia, lá estavamos testando adivinhar para o que serve esse novo brinquedinho. Já decidi - nenhuma pressa. O tempo e o movimento das conversas me avisarão quando valer à pena eu checar o Google Wave também. Escrevi para o Sérgio diante de uma de nossas primeiras waves: o excesso de informação é a alienação contemporânea. O limite entre estar bem informado e estar hipnotizado pelo fluxo incessante de informação é tênue, e saber respeitá-lo demanda experiência e atenção. Exercitar esse discernimento é, talvez, a ação educativa mais importante que temos a desempenhar.

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quarta-feira, julho 22, 2009

Blogagem, internet e educação

No ano passado, durante o Webcurrículo, a Renata Aquino convidou a mim e a Bárbara para uma conversa sobre usos de tecnologia na educação.
O podcast com as conversas foi ao ar agora, vejam aqui.
Ouvindo novamente ontem, gostei, achei que abordamos coisas importantes, de uma maneira muito sincera. E agora, tá na Rede!

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terça-feira, junho 23, 2009

O uso ético das mídias sociais

O uso da Rede para debate e contrapontos frente a situações polêmicas tem sido de grande riqueza. Quem está há tempos na internet sabe que isso não é novo, mas vai adquirindo ramificações e uma disseminação cada vez mais ampla com a adoção de ferramentas variadas por diversos segmentos da população, como foi o caso dos blogs e como está sendo o caso do Twitter.
No caso da greve na USP, esse fenômeno se repete. Há algumas questões, entretanto, que acho que precisam ser observadas.
A facilidade de produção das mídias digitais, sua publicação e disseminação faz com que nenhuma posição detenha o monopólio da expressão, o que é um ganho valioso para as sociedades democráticas. Antigamente, o "Estado de S. Paulo" dificilmente publicaria no mesmo dia o editorial 'Crise na USP: a peculiar noção do ‘direito sagrado de opinar’ tolhe outros direitos", criticando severamente os mesmos professores que são elogiados, no mesmo dia, por um texto como o do Luis Zanin, "Candido e a Oração aos Moços" . Essa plasticidade de vozes, com os órgãos tradicionais da Mídia reconhecendo e dando espaço para as idéias em confronto, é um dos bons frutos do fortalecimento da Rede.
Por outro lado, essa mesma multiplicidade desafia nossa capacidade de avaliação quanto às imagens que assistimos. Um exemplo disso é a contraposição entre esse vídeo sobre o confronto entre a PM e os manifestantes (que publiquei há dois post atrás) e esse outro, que mostra a tensão entre representantes do Sintusp (Sindicato dos Funcionários) e estudantes querendo entrar em sua unidade.

Ambos os vídeos causam repulsa, e podemos supor que a recusa da violência nos dois casos comprova a complexidade do xadrez político na USP. Por outro lado, se considerarmos a edição ou a criação de situações premeditadas para gravar uma reação de impacto, precisariamos considerar o desejo de manipulação que pode estar embutido nessas mídias.
Cheguei ao segundo vídeo por uma indição do Marcelo Tas no Twitter, outro cenário acirrado desse debate. Ele indicava o link (aliás, vi agora que repetia uma postagem do blog). Agregado ao link, a frase: "Olha a forma "democrática" como atuam os grevistas da USP. PM nesses vagabundos!" A postagem no Twitter rendeu protestos e apoios, e entre outras coisas uma campanha de #unfollow ao Tas, que tem mais de cem mil seguidores. A polêmica no blog também foi intensa, rendendo 169 comentários, e um post posterior do Tas se retratando, arrependido do termo "vagabundos", mas convicto de seu posicionamento.
Hoje, também por outra indicação do Twitter, cheguei à comunidade USP - Universidade de São Paulo no Orkut, que possui 47580 seguidores. Quem é o dono da comunidade? A indicação leva a um perfil de nome Comunidade USP, que por sua vez não nos leva a ninguém. Concluo daí que trata-se de alguém que não quer se identificar. E, portanto, não tem como representar ninguém ao mudar a imagem da comunidade e incluir, em letras garrafais "Alunos da USP contra os Reacionários do Sintusp".


Não sou contra o anonimato na Rede, mas acho questionável a postura ética de um anônimo que faz uso de uma comunidade numerosa para expressar apenas a sua posição pessoal. É possível que seja também a opinião de parte de seu público, mas nenhum deles foi consultado sobre seu desejo de se expressar daquela forma, menos ainda aqueles que discordam desse administrador. Minha crítica seria a mesma se nessa comunidade estivesse estampado "Fora Reitora". O que estamos vendo aqui é o "sequestro" de uma comunidade numerosa de seguidores à serviço de uma única voz do debate. Acho que esse comportamento deveria ser punido pelo Orkut.
Noves fora todos os desgastes que permeiam essas discussões, entendo que elas são abençoados sinais de que vivemos um rico momento de liberdade no país. O que deve nos motivar ainda mais para ficar de olho e não dar espaço a nenhuma armadilha que a venha suprimir.

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terça-feira, janeiro 27, 2009

Campus Party, anotações sobre uma semana intensa

O que será que um desavisado que caiu no Campus Party pensou daquela loucura? Acho que o sentimento mais evidente ao longo da semana no CP, para mim, era intensidade.
Toda hora a gente tinha que optar entre participar de uma mesa ou outra. Às vezes dava para acompanhar duas, uma onde vc estava fisicamente, a outra pelo Ustream. Aliás, a transmissão pelo ustream, além do Twitter e da projeção do livestream da tag #cparty nos telões, foram, na minha opinião, as grandes vedetes tecnológicas do evento.
As mesas sobre educação foram poucas, mas interessantes - postei bastante sobre elas no blog do EducaRede. A dificuldade de obter conexão wifi (surpreendente!!)dificultou cobrir ou twittar das mesas que aconteciam na área de inclusão digital, o que excluiu quem estava longe de poder acompanhar e participar das conversas por chat. Essa participação, que pôde ser constante no CampusBlog, por exemplo, mostrou-se às vezes mais interessante que a própria contribuição dos debatedores.
As aprendizagens possíveis num evento como esse vão muito além da esfera da tecnologia. Me espantei ao acompanhar, na área de robótica, a palestra de uma profissional de odontologia, falando sobre a propriedade dos polímeros!! Mais um minutinho assistindo e descobri que o tema era relevante para aprender a manipular a silicone para produzir as fantasias dos robôs. Em outro grupo, falava-se sobre os arquétipos junguianos, ótima referência para a turma de design de games.
Os vínculos "esfera digital" & "esfera material" se consolidam também nas intersecções que vão se confirmando em novas práticas. Vibrei, por exemplo, ao saber que a Soninha Francine, agora subprefeita da região da Lapa, vai incorporar estratégias de mapeamento em wiki para melhorar a gestão da região. Também fiquei feliz em receber um comentário da Conceição, contando que levará para o planejamento de sua escola o material do EducaRede sobre avaliação, que mencionei num post sobre Indicadores de TICs na Educação. Acabou a era mítica do ciberespaço como um lugar alheio à nossa vida.
Outra delícia do CP é a possibilidade de encontrar seus contatos na Rede e conhecer tantas outras pessoas que se interessam por cultura digital. E isso inclui estudantes de computação, publicitários, monitores de telecentros, pesquisadores universitários, blogueiros, enfim, gente de áreas muito variadas. Saí de lá todos os dias mais tarde do que esperava - sempre acabava aparecendo mais alguém, mais uma conversa que me fazia adiar a partida.
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Ficou longo, mas quis escrever tudo antes que esfriasse... e que eu fosse tragada pelas próximas demandas. Agora, estou devendo só as fotos...

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sexta-feira, janeiro 23, 2009

magnetismo do Campus Party

Adrenalina total nessa semana do Campus Party. Há uma química lá que é surpreendente, mistura de empolgação das pessoas com abertura para relacionar-se, auto-organização e poucas formalidades. Há muito barulho, um agito permanente, mas tenho encontrado todos os dias motivos pra "ficar mais um pouquinho". Escrevo mais sobre isso depois que terminar.
Por enquanto, pra quem não sabia, estou postando no Blog do EducaRede. Quem quiser aparecer por lá, as conversas estão valiosas.

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domingo, janeiro 18, 2009

Educadores e a blogagem

Blogar, para mim, é uma ação que vale por si só. Me explico: se fosse me perguntar por que ponho meu tempo nisso, a resposta não teria a ver com dinheiro nem com projeção. É evidente que não recuso oportunidades de dar uma folga ao orçamento, nem sou espartana com minha própria vaidade. Mas o fato de estar aqui, post após post, expressando idéias, participando de conversas e promovendo links não se sustentaria se o subtexto fosse expectativa financeira ou fama. O que me mantém aqui é o ganho pessoal, a organização das idéias ao redigi-las para uma audiência, os contra-pontos que aparecem nos comentários, o registro ao longo do tempo.
Em dezembro último, nesse post, comentei que estava em curso o Best Blogs Brasil 2008, e que me parecia importante que educadores que produzem na blogosfera pudessem, nessa oportunidade, mostrar que estão por aqui e que tem o que dizer.
Para minha alegria, dois blogs de educadores foram vitoriosos: o Miriam Salles, na categoria Educação, e o Caldeirão de Idéias, do NTE de Itaperuna, na categoria blog corporativo.
A premiação vai ser no Campus Party, no dia 24, às 20h.
Insisto na idéia de que o estímulo à expressão dos professores por meio da Rede é um recurso poderoso para a maior repercussão da voz da categoria na orientação dos projetos educacionais em cada escola. E situações como essa podem servir de inspiração para outros educadores que ainda não descobriram esse ganhos implícitos que a blogagem traz.

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sexta-feira, janeiro 09, 2009

Napoleon 101, que prazer!

Começo de ano difícil, já às voltas com trabalho e angustiada com a situação em Israel e em Gaza. Muitas coisas a dizer sobre o tema, mas ainda precisando de organização.
Em meio a tudo isso, com o desejo de investir na melhoria do inglês oral, segui os conselhos da Carla Arena e sempre que posso ligo o MP3 no celular e escuto um podcast.
A boa coincidência foi que comecei a ler o 1808, do Laurentino Gomes, que indicou com grandes elogios a série de podcasts sobre Napoleão Bonaparte, Napoleon 101 .
É uma série produzida pelo The Podcast Network, organizada como um bate papo entre o historiador americano David Markham e o australiano Cameron Reilly, que vejo que é blogueiro dos bons, além de empresário e grande conhecedor da história de Napoleão também.
São cerca de 45 episódios que estão no ar, produzidos desde 2006, com cerca de 60' cada um. Já ouvi os sete primeiros, e eles são simplesmente deliciosos. Indico com veemência para quem se interessa por história e encara inglês com alguma fluência.
Muito louco isso de ficar ouvindo tantos detalhes sobre Napoleão, política e guerra, nesse momento...

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sábado, dezembro 27, 2008

Compulsão blogueira

Semaninha na praia, longe do micro e de boas conexões, apostando no afastamento da máquina para desacelerar a cabeça e desintoxicar do consumo execessivo de informação.
Confesso: a cada momento aparecia algo que disparava o "mode" *isso dá um post*, e automaticamente a redação mental começava a funcionar.
Fiel aos meus propósitos de curtir as férias, resisti bravamente.
E só a título de registro, enumero aqui alguns dos temas que serão retomados em outro momento (ou nunca mais):
- A invasão do descanso das pessoas pelos aparatos eletrônicos de vigilância, como um alarme de uma casa de veraneio tocando lá pelas 6h da manhã, sem ninguém responsável para suspender.
- Novas situações de conflito geradas entre casais da terceira idade pelo interesse e/ou dedicação do marido ou da esposa à navegação na internet.
- Evidências de influências positivas de adaptações para a TV de clássicos da literatura infantil (agora em DVD), que em outro momento foram extremamente criticadas.
E otras cositas más que tenho pensado, mas que consegui manter longe do automático "redija", o que pode fazer com que nos próximos dias eu encontre um tempinho para voltar a elas.

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sexta-feira, dezembro 19, 2008

Ano vai, ano vem

Ano longo, esse 2008. Cheio de coisas boas, densas mas importantes. Ano de terminar o doutorado (aliás, já está disponível na Rede), ano de muitas idéias e ações na escola, bons congressos e muitos contatos interessantes na Rede. Comprido, mas com um sabor de muita vida, de muito crescimento.
Um convite que recebi nesse desacelerar de dezembro me deixou muito contente: produzir o blog do EducaRede no Campus Party 2009, que será aqui em São Paulo, de 19 a 25 de janeiro. Em 2008 só consegui estar por lá uma tarde, tantas eram as demandas do fechamento da tese. A visita foi curta, mas valeu, como dá pra perceber pelas fotos.
Agora, numa época um pouco menos conturbada, vai dar para curtir mais, olhar as coisas com calma, conversar bastante, entrar em outras searas que a princípio não são as minhas.
Também será minha primeira experiência como blogueira de um espaço institucional.
Hora de aprender os ganhos e as limitações que isso pode representar.
Estou feliz, é um fechamento de ano feliz. Desejo essa felicidade a todos, votos extensivos ao resto do mundo!

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sexta-feira, dezembro 05, 2008

O engajamento dos alunos por Michael Wesch

Gosto muito dos videos produzidos pelos alunos do Michael Wesch, professor de etnografia da Universidade Estadual do Kansas. Todo mundo deve se lembrar dos clássicos "The Machine is Us/Using us" (versão em português aqui) e "A vision of students today".
Vejam uma recente entrevista com Wesch, em que ele fala sobre anti-ensino e sobre como envolver os alunos. Ainda não vi versão em português, se alguém tiver o tempo para legendar...

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quarta-feira, dezembro 03, 2008

Postagens de voz via Gengibre

O ano parece de uma cumprideza sem fim... e os afazeres intermináveis, parece que se multiplicam... que coisa...
No meio desse tempo espremido para blogar, acabei experimentando o Gengibre, que se apresenta como Rede Social e que tem como diferencial a postagem por voz. Você pode postar de um micro ou por celular, de onde estiver.
A idéia me pareceu excelente, capaz de dar a apoio a uso dos mais diversificados.
Entre outras coisas, achei 10 poder postar enquanto dirijo (confiram aqui esse primeiro post), pelo fone de ouvido do celular - sempre tenho um monte de idéias quando estou para lá e para cá na cidade, e muitas vezes acaba não dando tempo de blogar.
Por outro lado, fala e escrita são duas formas de expressão muito diferentes. Não é assim que eu vou sair postando por voz, sem poder cuidar um pouco mais da forma da expressão. Ou talvez sim, falando sobre temas mais diretos, menos teoria e mais crônica do dia a dia, sabe-se lá.
E brincando um pouco de interação (já que é Rede Social), gravei um post em resposta a um outro do Cazé (que é um dos cabeças do Gengibre), que se chama De Bakhtin para Montaigne. Para quem curte ou quer conhecer um poquinho mais do Bakhtin, le voilá, em viva-voz.

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sexta-feira, novembro 28, 2008

Mil Casmurros, um lançamento inteligente


Bela idéia, esse projeto da Globo, para homenagear o centenário da morte de Machado de Assis. A gravação de D. Casmurro, dividido em mil trechos, para que mil pessoas diferentes possam compor um mosaico de leituras. A iniciativa também é parte do lançamento da minissérie Capitu, que vai ao ar agora em dezembro.
Imaginem que outros desdobramentos interessantes essa solução, que é composta de um conjunto de ferramentas, poderia ter!
O Mil Casmurros está no Twitter. No site da minissérie há uma lousa onde é possível rabiscar. Aposta forte no viral da Rede para popularizar a série antes de lançar a campanha na TV.
Via blog do Tas

Em tempo: estou seca para gravar a leitura mas, claro, nessas horas, a webcam não quer obedecer. Assim que der um jeito nisso, posto aqui o link.

Atualização: resolvido, veja o trecho gravado aqui!

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quarta-feira, novembro 26, 2008

Saramago e o ato de blogar

Tenho acompanhado o Caderno de Saramago, blog do escritor iniciado em setembro desse ano.
No começo impliquei com o fato dos comentários estarem desabilitados, mas pensando melhor entendi que, uma vez que ele não se disporia a dialogar com os inúmeros comentadores que apareceriam, realmente não há sentido em manter a opção de interação.
Há algo de específico na sua escritura em blog, que seria diferente caso o espaço de publicação fosse uma coluna, fosse impressa ou digital. As marcas de cotidiano presentes em suas postagens provavelmente se perderiam ou ficariam esmaecidas numa coluna com periodicidade marcada e tamanho definido. Saramago sabe que tem audiência, portanto não há que se esperar por uma narrativa excessivamente intimista, a não ser quando sua opção literária for a de narrar a intimidade.
E assim, em meios aos seus vinte e tantos posts publicados a cada mês, ele cotidianamente vai produzindo textos de variadas naturezas:
- reflexões filosóficas sobre a esperança e a utopia, como em Velhos e novos
- leituras e sugestões políticas para o contexto internacional, como em Guantanamo e Novo Capitalismo;
- detalhes sobre negociações que, sim, interessam a leitores, como o processo que levou-o a aceitar a adaptação de Ensaio sobre a Cegueira para o cinema, em Fernando Meireles e Cia;
- uma reminiscência de uma amizade, que nos dá acesso a um texto brilhante,"Do imemorial ou a dança do tempo", de uma personalidade pouco conhecida, Eduardo Lourenço;
- narrativas de uma simplicidade desconcertante, como o pouco caso dos serviços nos aeroportos do Brasil, em Gado.
Em A página infinita da internet contava ontem, um pouco surpreso, que muitos dos presentes a sua coletiva de imprensa dirigiam-lhe questões sobre sua produção no blog. E pergunta:
"Será que, aqui, melhor dito, nos assemelhamos todos? É isto o mais parecido com o poder dos cidadãos? Somos mais companheiros quando escrevemos na Internet? Não tenho respostas, apenas constato as perguntas. E gosto de estar escrevendo aqui agora. Não sei se é mais democrático, sei que me sinto igual ao jovem de cabelo alvoroçado e óculos de aro, que com os seus vinte e poucos anos, me questionava. Seguramente para um blog".
Talvez tenhamos em breve outras contribuições do Saramago sobre a natureza da produção literária que se concretiza no momento de blogar. Tomara.

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terça-feira, novembro 25, 2008

Itajaí debaixo d'água

80% da cidade de Itajaí ficou debaixo d'água, por conta dos temporais dos últimos dias.
Leio no blog do Rogério Christofoletti, que é professor da Univali, relatos mais extensos. Ele, como a maior parte da população, precisou sair da sua casa, quando a água chegou a uns 40 cm do chão.
Segundo o relato, as cenas lembram um pouco o "Ensaio sobre a Cegueira", ou "A Guerra dos Mundos".
É por meio de um blog que algumas famílias estão conseguindo ter notícias de pessoas que se perderam na confusão, ou solicitando aos demais que avisem se encontrarem pessoas desaparecidas.
Aqui, algumas imagens de Itajaí submersa.
Sinto que ainda usamos pouco a Rede para apoiar gente que vive desastres como este. Pode ser desconhecimento meu, talvez precise ir atrás, mas devia haver algo mais a fazer além de mandar os nossos votos de solidariedade.
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Em tempo:
Post do Tiago Dória aponta para vários canais na Rede onde se pode obter informações sobre as zonas afetadas, e da dificuldade das mídias tradicionais de fazerem uso desses canais. Igualmente lembra a ausência de estratégias de uso do celular, por exemplo, para facilitar a troca de informações.

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domingo, novembro 23, 2008

Conversações na Rede

A internet me interessa em especial por ser um espaço de conversações. Esse passo, que vai além da mídia de massa, para mim, faz toda a diferença: não se trata mais de só "receber" as idéias de um articulista num jornal (ou num site, como ainda ocorre), e de reagir individualmente, caso suas posições suscitem uma resposta. Postar na Rede é um convite à conversa: essas são as idéias que tem me ocupado, esses são os links que desencadearam a reflexão, que acham disso tudo, vocês que me lêem? O espaço às reações às minhas idéias é aberto e livre, e em quantos casos já vimos em que o debate que se segue passa a envolver outras vozes e outras questões que se desdobram e se diferenciam das proposições iniciais do enunciante.
Essa descrição faz sentido num modelo de comunicação mediado por blogs ou por listas de discussão, quando não há interferência acentuada do gerenciador do espaço. A natureza multi-polar e multi-direcional e a expectativa assíncrona da conversação referendam essas possibilidades.
As recentes postagens que fiz sobre o Twitter tratam de uma outra modalidade de comunicação. A Raquel Recuero, nesse post, sugeriu que ele seja visto como uma ferramenta de Mensagens Instantâneas Coletivas. Eu agregaria que talvez fosse melhor pensá-las como Mensagens Instantâneas Públicas e Compartilhadas, sem esquecer que só acompanharemos as atualizações de determinada pessoa se a incluirmos na relação daqueles que nos interessa seguir. Assim, é possível que um conjunto de pessoas esteja atualizando seus comentários sobre um tema comum (como foi o caso da ABCiber), mas se eu não as tiver no rol das minhas conexões no Twitter ou não estivermos usando uma TAG comum, acompanharei apenas parte da conversa. O que é bastante natural na nossa comunicação cotidiana, mas suficiente para termos claro que o conceito de "coletivo" pode ser problemático.
Provocada pelo Sérgio, preciso dizer que vejo valor na conversa via Twitter (e estou falando da cobertura de um evento, ou da comunicação sobre uma situação comum vivida por sujeitos em vários espaços), fragmentada, reiterativa, plena de subjetividades e nem sempre focada nas questões centrais de um enunciante. O fato de poder ter acesso às distintas formas de escuta, possibilita que eu possa refinar a minha, confirmar as minhas intuições, ponderar sobre outros olhares que ainda não haviam me ocorrido. A "conversa paralela" é também um canal de esclarecimento de algum ponto que ficou obscuro - o que, aliás, é tão comum em sala de aula, e tão difícil de saber o limite do momento de suspender. Enunciados que nos mobilizam intensamente nos levam a boicotar outras fontes distratoras da atenção - seja a conversa da colega, seja a postagem dos demais twitteiros. Portanto, cabe a cada um saber quando fechar o Twitter.
Ainda sobre conversações, preciso dizer que fico feliz sempre que sinto momentos mais densos de troca na Rede, em que o potencial de interatividade entre os sujeitos conectados se efetiva. Promover conversações não é algo trivial, e mesmo quando as ferramentas estão dadas, são muitos os leitores silenciosos, que por motivos dos mais variados não expressam suas reações às nossas idéias nos espaços abertos para isso. E nem por isso deixaram de interagir com essas idéias, o que nos leva à possibilidade de uma situação dialógica - uma resposta inesperada a um enunciado nosso em um momento futuro, num contexto distinto - sem que houvesse interatividade conosco.
Fico por aqui... já percebi que as conversações na Rede vão render outro post.

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domingo, novembro 16, 2008

Twitter, twemes e a apropriação das tecnologias

Quando a gente se encanta com uma nova tecnologia ou com um novo conjunto de tecnologias articuladas?
Ao que parece, quando sua existência nos permite usos ainda não cobertos por outras precedentes, ou aperfeiçoamento de propostas já disseminadas. Na semana que termina, fiquei muito instigada com a associação Twitter+Twemes, em situação evidentemente proporcionada pela existência de auditórios com cobertura WIFI e disposição dos organizadores do eventos para transmitir ao vivo suas sessões pela internet.
A coincidência de horário entre a a mesa da noite no simpósio da Associação Brasileira de Pesquisadores de Cibercultura (ABCiber) e o debate com o Jimmy Walles, fundador da Wikipedia, no Centro Cultural São Paulo, obrigou parte do público a optar por um deles. Eu permaneci na PUC, e me dispus, como outros companheiros da audiência, a anotar no Twitter minhas impressões sobre as falas dos participantes. Descobri que havia transmissão online do debate com o Wales diretamente do Centro Cultural, e assim pude rapidamente acompanhar o que estava se passando lá, e tirar minhas próprias conclusões sobre a escolha que havia feito.
Eramos pelo menos quatro pessoas twittando no mesmo auditório. Com a tag #abciber no início da mensagem, pude acompanhar, pelo Twemes, os comentários da Raquel Recuero, do Carlos Nepomuceno e da Adriana Amaral. A Sú Gutierrez escrevia de Porto Alegre, de onde acompanhava a transmissão online da ABCiber. Pouco depois soube pela Raquel que #wikidebate era a tag usada no debate do Wales, e assim passei a acompanhar os comentários de alguns participantes daquele evento.
Foi uma experiência empolgante. A associação dessas ferramentas permite que você acompanhe a fala do palestrantes, mas ao mesmo tempo a reação de outros colegas a essa fala - ou, como diria Bakhtin, a "atitude ativamente responsiva" de outros sujeitos frente a um mesmo enunciado. É um pouco como a conversa paralela na aula ou na sala de cinema, mas que logra existir sem som e com pessoas distantes fisicamente de você. Os comentários, que, aliás, podem ser encontrados no Twemes posteriormente, oferecem a quem quiser, um conjunto de impressões sobre a situação, sejam eles diretamente relacionados às idéias em debates, sejam a aspectos da infra-estrutura ou do comportamento do público.
Na manhã de 3a, por exemplo, houve problemas na transmissão online, e eu, que havia permanecido em casa devido a necessidade de adiantar outros trabalhos, só consegui acompanhar por meio dos comentários. Ao mesmo tempo, conseguimos acionar algumas pessoas no auditório para pedir provdência quanto ao som. Na manhã de 4a, ocupada na sala de aula durante todo o período, a cobertura da Raquel no Twitter foi fundamental para ter mais claro do que se tratava a palestra do Alex Primo, também relacionada a gêneros nos enunciados produzidos na internet, área de interesse da minha pesquisa.
A fala do André Lemos, na noite de 3a, descreveu com muita inteligência aquela cena curiosa, mas que está se tornando frequente: parte dos presentes na audiência, iluminados pela tela do laptop em seu colo, com a atenção esgazeada entre o discurso do painelista e os comentários de seus colegas, ou seja lá que outro atrativo drenando a sua atenção do espaço presente naquele momento. Na verdade, isso é uma imprecisão, pois os demais colegas twiteiros podem ser parte do espaço presente. A atenção é desfocada da voz de um emissor central, detentor legítimo daquele espaço de tempo, para um exercicio de multivocalidade entre a audiência (presente e distante). Não há novidade no desfocar da atenção, que não nasceu com o computador nem com a internet. A novidade é a ânsia por essa partilha de reações coetâneas ao enunciado, e que em algumas situações podem ser de grande valia, e em outras uma atitude compulsiva, que traz mais perdas (como qualidade da escuta) do que ganhos.

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segunda-feira, outubro 06, 2008

Papelão chic

O design à serviço da solidariedade. Você poria na sua cama, para tornar menos sofridas as noites de um sem teto?

Se quiser contribuir com a causa, o caminho é por aqui.
Via Contemporânea, da Carla Rodrigues.

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segunda-feira, agosto 18, 2008

Lablogatório, um portal de disseminação das ciências


Fico sabendo, pelo Luis Brudna do lançamento do Lablogatório, um novo portal sobre ciências.
Diz a apresentação:
"Lablogatórios é mais do que um condomínio de blogs de Ciências. É o
fruto dos sonhos e aspirações de dois cientistas aprendizes.
Acreditamos que os blogs são a ferramenta ideal para se divulgar
Ciências tanto para iniciados quanto para não iniciados. Que são
capazes de transpor a barreira que separa grande parte da sociedade do
conhecimento científico.
Desejamos que a Ciência se espalhe fácil e distante, assim como os
frutos de um dente-de-leão, nosso símbolo, que se dispersam com o
vento. Ciência boa se dispersa assim: de modo divertido e eficiente.
Buscamos espalhar Ciências pelos múltiplos cantos da Internet, mesmo
que tenhamos que concentrar a maioria dos blogs de Ciências
brasileiros em um só local. Quem sabe um dia teremos a honra de
incluir blogs de Ciências de outros países que falam a língua portuguesa.
Sonhamos em criar o ambiente que vai propiciar a troca de idéias e
favorecer a geração de conteúdo relevante e de qualidade, demonstrando
assim a capacidade dos blogs como mídia no Brasil.
O Lablogatórios é um local de adoração da Ciência. Bem-vindos ao nosso
sonho. Que a nossa paixão te contagie e que a Ciência se disperse tão
levemente quanto um fruto de dente-de-leão".
Longa vida ao Lablogatório!

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