segunda-feira, abril 13, 2009

A diferenças das postagens em cada espaço da Rede

Na conversa com o George Siemens no The Hub, no último dia 03, apareceu novamente a observação sobre a natureza distinta das postagens, dependendo da ferramenta de publicação.
Siemens contava que, via Twitter, mais elementos de seu cotidiano circulam na Rede, como o episódio de suas compras em Sao Paulo, já que suas malas não chegaram e ele estava apenas com a roupa do corpo.
Lembrei de conversa recente com a Su Gutierrez na lista Edublogosfera. As discussões mais profundas tem rolado com mais facilidade no fórum do que em nossos blogs. Segundo a Sú, tem a ver com a preocupação maior que temos com a forma como nos expressamos nas postagens, a busca de clareza, coerência, correção do texto, qualidade da informação ou da reflexão que estamos expondo.
Essas demandas ocorrem também quando postamos em fóruns, mas com certeza há menos correções na hora de enviar. Ninguém se liga tanto se errou na digitação, se a frase saiu truncada, se a mensagem ficou telegráfica. Aliás, como muitas vezes nossa mensagem é resposta de outra com o mesmo tema, ou retomada de um assunto que sabemos que pertence ao repertório recente do conjunto de leitores, podemos escrever sem precisar contextualizar.
Volto às considerações sobre o quanto as capacidades, limitações e formas de circulação possibilitadas por cada ferramenta influenciam na nossa forma de expressar. O flash do momento, que é a cara do Twitter, presta-se perfeitamente para extravazar situações que não se prestariam a uma postagem. Como comunicação rápida para muitos, aliás, ocupa um espaço interessante.
Há uma questão direta de definição da audiência nesse paralelo entre escrever no fórum ou escrever no blog. Ainda que os fóruns tenham muitos participantes, criamos nossa idéia de comunidade leitora partir da dinâmica das conversas ao longo do tempo. No espaço do blog, essa noção é muito mais difusa, e talvez nos obrigue a "por roupa de domingo" na hora de postar.
E vamos dar sequência a essa conversa, afinal ter clareza da natureza desses espaços e dessas ações deve nos auxiliar a usá-las melhor.
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Aliás, vejo que a Sú, nesse post, traz uma boa provocação para o adensamento da conversa nos comentários do blog, ao invés da lista. Certo, Sú, vamos verificar se isso contribui para a ampliação da conversa.

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quarta-feira, novembro 26, 2008

Saramago e o ato de blogar

Tenho acompanhado o Caderno de Saramago, blog do escritor iniciado em setembro desse ano.
No começo impliquei com o fato dos comentários estarem desabilitados, mas pensando melhor entendi que, uma vez que ele não se disporia a dialogar com os inúmeros comentadores que apareceriam, realmente não há sentido em manter a opção de interação.
Há algo de específico na sua escritura em blog, que seria diferente caso o espaço de publicação fosse uma coluna, fosse impressa ou digital. As marcas de cotidiano presentes em suas postagens provavelmente se perderiam ou ficariam esmaecidas numa coluna com periodicidade marcada e tamanho definido. Saramago sabe que tem audiência, portanto não há que se esperar por uma narrativa excessivamente intimista, a não ser quando sua opção literária for a de narrar a intimidade.
E assim, em meios aos seus vinte e tantos posts publicados a cada mês, ele cotidianamente vai produzindo textos de variadas naturezas:
- reflexões filosóficas sobre a esperança e a utopia, como em Velhos e novos
- leituras e sugestões políticas para o contexto internacional, como em Guantanamo e Novo Capitalismo;
- detalhes sobre negociações que, sim, interessam a leitores, como o processo que levou-o a aceitar a adaptação de Ensaio sobre a Cegueira para o cinema, em Fernando Meireles e Cia;
- uma reminiscência de uma amizade, que nos dá acesso a um texto brilhante,"Do imemorial ou a dança do tempo", de uma personalidade pouco conhecida, Eduardo Lourenço;
- narrativas de uma simplicidade desconcertante, como o pouco caso dos serviços nos aeroportos do Brasil, em Gado.
Em A página infinita da internet contava ontem, um pouco surpreso, que muitos dos presentes a sua coletiva de imprensa dirigiam-lhe questões sobre sua produção no blog. E pergunta:
"Será que, aqui, melhor dito, nos assemelhamos todos? É isto o mais parecido com o poder dos cidadãos? Somos mais companheiros quando escrevemos na Internet? Não tenho respostas, apenas constato as perguntas. E gosto de estar escrevendo aqui agora. Não sei se é mais democrático, sei que me sinto igual ao jovem de cabelo alvoroçado e óculos de aro, que com os seus vinte e poucos anos, me questionava. Seguramente para um blog".
Talvez tenhamos em breve outras contribuições do Saramago sobre a natureza da produção literária que se concretiza no momento de blogar. Tomara.

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